Montados em mulas e burros, tropeiros fazem 360 km em nove dias até Passos Maia

Grupo saiu de Pitanga, no Paraná, e viajou até o interior do município para relembrar trajeto feito por antepassados

Por Jhonatan Coppini

12/01/2018 15:29


Tropeiros viajaram 360 quilômetros entre o município paranaense de Pitanga e Passos Maia (Foto: Cleiton Luiz)

A história das viagens feitas pelas antigas gerações motivou um grupo de tropeiros a se aventurar por 360 quilômetros ao longo dos últimos nove dias, entre os estados de Santa Catarina e Paraná. Em uma viagem de uma semana e meia, sobre o lombo de burros e mulas, nove tropeiros saíram do município de Pitanga (PR) em direção a Passos Maia.

 

A chegada ocorreu nesta quinta-feira, dia 11, com o grupo fechando o roteiro na fazenda do prefeito Leomar Listoni, no Assentamento Taborda, interior do município. Edevaldo Lopes, um dos integrantes da equipe, disse que o motivo da viagem, além de reviver os passos dos antepassados, foi visitar o “grande amigo José Arcari”, conhecido após uma cavalgada em 2008 em Passos Maia.

 

Com os nove tropeiros, dois homens em uma caminhonete e um caminhão integraram a equipe de apoio. Em um cenário bem diferente do que existia na época em que as viagens eram feitas no lombo dos animais, Edevaldo conta que em parte do trajeto os burros e mulas foram até carregados pelo caminhão para a preservação da integridade física dos animais e tropeiros.

 

“A gente sai priorizando sempre cultivar e realizar passagens por onde eram rotas tropeiras. Mas hoje é quase que impossível cumprir um trajeto apenas por estrada de chão, então a gente pegou alguns pedaços de asfalto, entre Reserva do Iguaçu e Mangueirinha. Por conta de ser um asfalto muito sinuoso e perigoso, optamos por carregar os animais em caminhões”.

Opção por burros e mulas foi adotada porque eram os animais utilizados na época pelos tropeiros (Foto: Cleiton Luiz)

A escolha por burros e mulas, segundo Edevaldo, foi justamente para remontar com mais fidelidade a viagem feita pelas civilizações da época. “A gente sempre busca relembrar ao máximo tudo o que os nossos antepassados fizeram. A escolha por burros e mulas foi justamente por serem animais mais fortes, resistentes”, explica.

 

O tropeiro também aponta que antes da viagem, todo um trabalho de preparação foi realizado. O planejamento iniciou cerca de 30 dias antes, passando desde a elaboração do roteiro até o mapeamento das propriedades para as paradas de repouso e alimentação da tropa.

 

Tropeirismo no sangue

 

Neto de tropeiro, Edevaldo carrega no sangue o gosto pela prática. “Para mim é indescritível poder hoje, quando tudo está tão revolucionado, voltar no tempo e ver como antigamente as coisas eram mais difíceis, mas nossos antepassados nos orgulhavam por todas as conquistas através de tantas dificuldades”, expressa, aproveitando para agradecer a receptividade que o grupo teve no município.

 

“Para nós, tropeiros, que estamos há nove dias na estrada, é muito importante sentir a chama do tradicionalismo ainda acesa. Sentir o carinho e o calor humano é muito especial. No caso do Listoni, sempre costumo dizer, um gestor que anda de mãos dadas com o tradicionalismo, merece ser admirado pelo resto da vida. Só tenho a agradecer a todo o município de Passos Maia”, completa.

Confraternização ocorreu após chegada dos tropeiros em Passos Maia (Fotos: Cleiton Luiz)

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